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Onze + Rodrigo Cabrita

Ainda me lembro como se fosse hoje, daquela conversa em milhares de conversas próprias de fotojornalistas enquanto esperam e muitas vezes desesperam que os acontecimentos simplesmente aconteçam, de me falarem de um puto do DN. Memorizei o seu nome e quando desfolhava o diário procurava fotografias do puto ruivo.

O puto era bom. O puto é bom. E se a qualidade do seu olhar não se discutia, o que mais me fascinou no ruivo foi a sua camaradagem mandando sempre a ridícula e mesquinha concorrência às malvas.

O puto fez-se homem, ou melhor, o puto já era um senhor. E hoje a Carminho com 3 quilos e meio descobriu o mundo no hospital da Luz. E se bem sei, a bebé Carminho já se tornou a modelo favorita do puto ruivo, de barba desalinhada e retorcida. O Rodrigo Cabrita é pai pela segunda vez. Merecido, abençoado.

Hoje o 121212 está em festa. Festa da vida. E como as velas que se colocam no bolo doce de muitas vidas amargas, o 121212 passa a ser 131212. A Carminho irá soprar infinitas velas de um bolo doce de uma doce vida.

Parabéns!

fotografia de Rodrigo Cabrita

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121212 Mais Um

Os soldados tinham metralhadoras mas sorriam. Vestiam farda mas tinham cravos. E o velho televisor Radiola mostrava a quase todo o país – a RTP não chegava a todo o território – imagens da revolução. Dos doze, uns eram crianças, outros adolescentes e alguns nem projecto sonhado. Mas a revolução foi feita para todos e quase com todos. E mesmo os que ainda não tinham nascido, teriam à sua espera um país livre e justo. Salgueiro e tantos outros pensavam assim.

E naquele tempo a prata ganhou asas. Fotografias de gente a construir um novo país. Laboratórios cheios de vida ao som da luz vermelha. É o que nos diz Eduardo Gageiro, Luís Vasconcelos, Alfredo Cunha, Carlos Gil… A história ali tão perto de nós. A preto e branco transbordando cor.

E agora estamos aqui. Os doze. Virados para um país livre mas amarrado. E já sem o som da luz vermelha, mas com disparos de obturadores irritados. Indignados. Faremos história. Não a história de Luís, Carlos ou Eduardo, mas outra história bem mais triste e cruel.

Somos doze mais um, Salgueiro.

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fotografia de Adriano Miranda