Nuno Veiga

Onze + Nuno Veiga

Rua do Comércio. Sem comércio. Moribunda esperando pela morte que espreita a cada esquina, a cada montra, a cada balcão. E nas fotografias de Nuno Veiga somos transportados ao passado e levados a adivinhar o que terá sido aquela rua e todas as ruas do Alentejo. Vemos a menina com sua mãe a comprar vestidos de chita. Agrários sentados no café Alentejano e a praça repleta de camponeses, recrutados por uma moeda para desventrar a terra. Podemos ver o ardina com a notícia da revolução. A camponesa a comprar os livros da escola agora obrigatória para os seus filhos. E no café Alentejano as mesas, as chávenas e a palavra livre são de todos e para todos. Na praça vende-se gelados e balões.

Podemos ver o Alentejo nas fotografias de Nuno Veiga. Rostos de rugas teimosas, a teimosia da sobrevivência impõe-se à razão do mercado. Ou a teimosia da saudade. Já não há balões nem gelados. Tantas vezes sonhados e depois concretizados. Agora temos ruas vazias de lojas vazias. E bem lá no alto temos a placa que diz Rua do Comércio Antiga Rua da Cadeia. Talvez seja tempo de voltar ao nome antigo neste tempo da prisão da felicidade.

fotografia de Nuno Veiga

www.121212.pt

Limoeiros

 

Aqui estamos nós. Se no último encontro reunimos na adega, desta vez foi numa sala enamorada por limoeiros. Adriana Morais, Adriano Miranda, José Carlos Carvalho, José Manuel Ribeiro, Lara Jacinto, Nuno Fox, Nuno Veiga, Rodrigo Cabrita e Vasco Célio discutiram, com alma e coração, Fotografia. E se pelo meio nos degustámos com uma bela feijoada de chocos feita por mãos sábias e calejadas, e regámos com belos vinhos algarvios, a discussão não parou e a muitas conclusões chegámos. Brevemente, Portugal saberá e se espantará. De momento, só podemos partilhar a gostosa conclusão de como é bom estar entre amigos e discutir com a liberdade de pensamento a passear sobre nós.

Vai ser de liberdade o que nós estamos a preparar. Sem ela nada feito.