Manuel Algre

A Onda no Arame

Nestes quatro mil quilómetros que fiz atrás e por vezes à frente de Manuel Alegre, assisti a vinte e seis discursos de Alegre. Treze em almoços, dois em jantares e onze em comícios.

Quase sempre me pareceu estar a assistir a um espectáculo de circo. Os Bloquistas eram os malabaristas. Os Socialistas os ilusionistas. Alegre o homem do arame.

O Bloco deixou de atacar o governo PS. Se um extraterrestre cai-se na arena pensaria que quem governava era o PSD e Cavaco.

 Os socialistas continuaram a vender ilusões.

Alegre esforçava-se para não cair. Agarrou-se ao perigo do FMI. Não explicou é que se o FMI entrar em Portugal é por culpa do seu camarada e apoiante Sócrates. Falou na esquerda como se o seu governo praticasse políticas de esquerda. Falou nos males dos mercados como se os seus camaradas socialistas do governo não alinhassem nas especulações dos mercados. Falou da protecção do estado social como se Sócrates não o estivesse a destruir. O Bloco aplaudia.

Domingo será melhor colocarem a rede por baixo do arame.

Nos dois comícios com a presença de José Sócrates, os Bloquistas não tiveram direito a subirem ao palco.