Onze + Vasco Célio

Os homens parecem bonecos articulados em frente à massa de fogo que corre livremente. Vasco enfrenta também o fogo. Está ombro a ombro com os combatentes de labaredas. Mais uma vez o jornal Público [22.07.2012] coloca na primeira página uma fotografia dos 12. Vasco Célio.

Conheço o Vasco há muitos anos. É um resistente. Poderia, como muitos, ter apanhado o comboio na estação de Faro rumo a Lisboa. Mas não. Foi teimoso. Quis ficar. E assim, lutar contra a centralidade e afirmar-se como um grande fotógrafo algarvio. Ainda bem que Vasco não se juntou ao rebanho da capital. Ganhou ele e ganhámos todos nós, apaixonados por esta coisa que é a fotografia. Vasco é a prova que existe caminhos alternativos.

Mas o Vasco também é a prova que os doze que formam o 12, foram bem escolhidos. Contratados. São fotógrafos todo o terreno, informados, atentos e que estão lá, no ministro, no buraco ou no incêndio. São subtis no olhar e rápidos no pensamento. Os 12 não estão a fotografar para um livro. Os 12 fotografam todos os dias para muitos livros, os da imaginação, da informação, da emoção e com o coração.

O Vasco é um deles.

fotografia de Vasco Célio

www.121212.pt

2 comments

  1. Camarada, …amigo… ,

    Estava para apanhar outro barco sem me despedir de ti, mas resolvi deixar-te esta mensagem de desilusão, pelo passado recente vivido nesta casa. Aqui encontrei de tudo um pouco, os seres racionais e os irracionais. Para vós racionais que me mereceram e merecem o maior respeito, transmito a minha desilusão.
    O que vou contar foi um pesadelo vivido em determinado Departamento com responsabilidades, designado por DAG.
    Nesse Departamento fiz de tudo um pouco, coisa que anteriormente alguém se deu ao cuidado de o desempenhar, no seu todo:
    -Carregador; mecânico; electricista; motorista, carteiro, latoeiro, operador de reprografia, etc.
    Claro que consegui «arrastar» colegas para a colaboração, pois sozinho não poderia levar o barco a bom porto, o que lamento é que ao fim deste tempo no sector a dirigente do departamento não tenha reconhecido nem aproveitado as capacidades dos funcionários sob as suas ordens, o que me deixa muito preocupado, tal o estado de falência profissional do patrão «Estado» que não deve esbanjar a matéria prima ao seu alcance.
    Não foi fácil a vida na SAG, mas na desportiva tudo se foi resolvendo com maior ou menor brio profissional ao cabo de dois anos.
    Para mim, os problemas seguintes surgiram porque teriam forçosamente de surgir e até digo que o problema foi premeditado. Ainda há rastos – as ameaças a quem trabalha subsistem
    Depois do trabalho executado nas anteriores instalações e instalados neste «edifício», aconteceram coisas que só ao diabo lembra e que só a um dirigente sem responsabilidades, é que pode criar a tal instabilidade, por falta de comunicação com os seus subordinados.
    Que reacção esperam de um sector quando à boca cheia a sua Directora afirmou não ter outro lugar para instalar determinado «chefe de secção» e também quando essa mesma Directora se não dá ao cuidado de ouvir os verdadeiros interlocutores da SAG? A quem pensava ela que estava a atestar a incompetência? A mim e a aos meus colegas de secção que com o sacrifício deram muito ao departamento naqueles dois, ou a do dito «chefe de secção» que apenas sabe desembolsar dos cofre do Estado?
    Vocês melhor que eu conhecem o avivado «chefe de secção».Em termos de trabalho conjunto, não tive um metro de trabalho a seu lado, mas também não adormeci à sombra dos dois anos que passei no edifício de Alcântara.
    Seleccionei as suas atitudes «dele», a forma de tratamento e vivência para com os colegas, o constante mudar de secção e a instabilidade de adaptação nos locais de trabalho, foram suficiente para que um «colega » desta natureza fosse bem recebido, e ainda mais grave , para chefiar a secção onde eu trabalhe.
    Mas a culpa até lha não direcciono – há o exemplo da frase «não tenho onde o meter»-estava tudo dito.
    Ainda não me tinha apercebido que a tramóia da directora de serviços estava lançada, para denotar que algo estranho estava acontecendo de anormal na secção, quando regressei de férias.
    Tendo trabalhado à porta aberta durante o período de tempo que tinha passado em Alcântara, denotei nestas instalações « Av. Brasil»e já com o cujo a tomar folgo para a tomada de posse da secção, que havia um reboliço nos materiais à minha guarda.
    Não é que o tipo escondia as coisas e depois vinha-me perguntar por elas?
    Pois é meus amigos, a partir do momento em que fez isso, instalou-se o caos na secção, pois não lhe aparei mais o jogo. As pedras estavam lançadas e não tive dúvidas para confirmar o anteriormente ditado por outros colegas mais antigos.
    Outros casos graves se seguiram e viriam a suceder, levando-me a não estar interessado em colaborar com aquele departamento nem com a sua Directora.
    Se o desaparecimento da viatura da DG me ficou na garganta, o desaparecimento dos telemóveis, veio-me até ao estômago.
    Camaradas, amigos, colegas (…) – Vocês acreditam na versão de um indivíduo que ao afirmar que é o último a sair das instalações da «DG» e o primeiro a entrar, e que guardando determinado número de telemóveis onde ninguém sabe, que estes desaparecem por mero acaso?
    O mesmo possa afirmar quanto ao desaparecimento da viatura do parque da DG. Se eu chegasse junto de vocês e vos perguntasse qual o estado da viatura e outras coisas mais e passados três ou quatro dias «período que planeava para o meter na garagem» este desaparecesse, qual a vossa reacção?
    Foi a que eu tive. Não retiro uma linha e está escrita a minha versão no inquérito levantado para o efeito. Desconheço o resultado final do inquérito.
    Fui ameaçado com um processo disciplinar, pela senhora Directora de Serviços da DAG.
    Foi a primeira e «pouco corajosa» ameaça não concretizada « que ao longo de 32 anos de serviço efectivo ao serviço do Estado», ouvi. Nem na tropa « entre 1973/75 e na guerra colonial» alguém ousou contra a minha pessoa utilizar a versão vocal de tal palavrão.
    Saí do Departamento e outros colegas me desejariam seguir o caminho, por enjoo.
    Os que não o podem fazer «pessoas com capacidades extraordinárias de trabalho, não reconhecido» vêm sendo ameaçados e perseguidos.

    Não nasci para ser escravo de ninguém, muito menos numa instituição onde há dirigentes que não dão valor ao trabalho desenvolvido pelos seus funcionários, -será por falta de conhecimento da matéria o mesmo leiguismo?

    A forma como se continua a gastar dinheiro na secção do dito «chefe de secção», faz bem da prova do muito desperdício a que estamos sujeitos.
    Querem uma ou mais provas? Aqui vai.
    1 – Troca de secretárias da sala «122», quando as anteriores serviram os anteriores locatários.
    2 – A troca dos chaveiro artesanais fabricados nas instalações e os vindo das anteriores instalações, foram deitados ao lixo e trocados por novos chaveiros.
    3- A destruição das estantes em cantoneira, e substituídas por armários novos para colocar em locais sujeitos a humidades elevadas e a inundações «garagem» caso o responsável não atendesse convenientemente ao bom funcionamento do equipamento instalado. Relembro que o anterior mobiliário foi instalado pelos funcionários antigos e a custo zero, enquanto a recente instalação de novos recorreram à ajuda de pessoal especializado para o efeito.

    Meus amigos, eu não vim para a DG para servir de cobaia a certos dirigentes, totalmente leigos nas matérias da minha formação. Não vim para aqui mostrar papéis ou diplomas de dois meses «comprados na feira-da-ladra» mas sim de 14 anos de estudo e formação profissional, não cobrados o quanto baste ao «Estado» como patrão, para me tomarem como um inútil e servidor de uns incapazes. Propus à senhora Directora da DAG para me deixar ficar com as tarefas adstritas às empresas que fazem manutenção às instalações da DG e dar-lhe o desenvolvimento «adequado», não aceitando
    É verdade que as pessoas não nascem ensinadas e foi para o alargamento dessa valorização profissional que foram criadas as escolas e os centros de formação.

    Outra das desgraças, vista a olho nu a simples mortal:
    -Quem nesta casa ainda não se apercebeu que sempre que haja uma inundação as pessoas envolvidas nas tarefas de limpeza, ficam completamente sujeitáveis ao perigo eminente?
    Para que servem as normas vigentes da «Higiene e Segurança no Trabalho» se os ditos e intitulados responsáveis desconhecem as essas normas?

    Abençoada a hora em que abandonei a SAG.

    Nestes anos consequentes, fiz os possíveis para me reabilitar e adaptar às novas tarefas «na desportiva» mas não consegui pelo anteriormente sucedido; a minha forma de estar na vida não é esta e mesmo conversando com os perceve, com os mexilhões, com as ostras e com os novos companheiros de sala, não consegui desligar o cérebro – uma ameaça com processo disciplinar, depois de tanto esforço dispendido na SAG não me é um bem digestivo.

    A escravatura passada na “24 de Julho e V. da Gama” jamais esquecerei – e tu camarada de trabalho, sentistes-te agraciado?. O equipamento que vi atirar pela porta fora, para o lixo e ainda em estado funcional é outra azia vivida e problema a resolver me deixa triste, tal a falta de dinheiro «dizem uns, gastam outros».
    Vi desperdiçar mobiliário em madeira, em nogueira em mogno (…), senti a compra por outro muito pior. Vi deitar mobiliário em estado razoável ao lixo, e comprar novo da mesma matéria-prima, quando dizem não haver dinheiro. Será esta uma boa gestão financeira? E a central telefónica instalada num local pouco arejado e húmido?
    Se a destruição da riqueza mobiliária contida nas antigas instalações desta Direcção-Geral foi vivida com uma grande azia e jamais esquecida, porque me fazia crer que a abundância monetária era muita na DG –e agora saio desta confrontado com a falta de dinheiro para papel.

    Outra da imagem que levo destas instalações é de que os seus funcionários estão superiormente vigiados, com câmaras de vídeo por tudo quanto é sítio. Com certeza que uma prisão «em Portugal» não terá tão forte dispositivo de segurança como esta Direcção-Geral. Será que os seus funcionários são cadastrados? Sempre tive a minha secretária aberta e curiosamente ninguém se deu à ousadia de lá colocar ou retirar algo.
    Mas não foi sob tanta vigilância que as coisas desviadas, «as poucas coisas desaparecidas» foram-se nas barbas das câmaras e não mais voltaram ao lugar do dono, sem que se instigasse o assunto?

    A constante ondulação da húmida brisa instalada na DG não serve os meus planos por isso vou-me embora. Ao partir, levo em mente que esta embarcação tem um Comandante que mereceu a minha confiança e com a ajuda em mais meia dúzia de marinheiros de qualidade que a bordo detêm a navegabilidade, complementar-se-ia com o apoio de um ou dois bons Imediatos.

    As «Alka-Seltzer» de Natal, nunca me fizeram esquecer os restantes 364/5 dias.

    Escreveram nos dicionários que o significado de «EXCELENTE» é – Muito bom; – Distinto; -Magnífico; -Aquele que se eleva acima de.

    Como estes termos não me complementam porque sempre me considerei um funcionário suficientemente capaz, a minha missão chegou ao fim – talvez, não como o desejaria, mas pela obrigatoriedade a que fui sujeito.

    Camaradas e amigos (…) o meu desejo é que fiquem e sejam muito felizes, porque a vida neste país está-se tornando muito difícil e eu não contribui para tal…

    Obrigado por me terdes aturado neste período de tempo.
    ribas

  2. O mail referenciado teve duas menções honrosas. A primeira, onde uma população trabalhadora disse de atitude corajosa, em que 80% gostaram do escrito, até porque não lhes era estranha tal atitude dos denunciados, acabou por encontrar na administração o contraditório-a pena de um ano de inatividade profissional por ter escrito o mail num computador do domínio público.
    Caso 2º- Penalização em Tribunal no crime de … por ter escrito um mail. Pena de 150 dias de multa a 10 €/ dia e 1000€ a um dos lesados.
    Chamam a isto democracia, para nos manterem calados

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