Um Sonho

Virar os tachos ao contrário, usar dois paus como baquetas e construir uma bateria no meio da cozinha era o meu passatempo preferido. Até que um dia percebi que nunca ia ser baterista. Naqueles tempos salazaristas acho que nem uma escola de música existia. Só o Conservatório. Mas mesmo que existissem, os meus pais com os miseráveis salários, teriam que optar, ou tocas ou comes. A escolha era óbvia. E ainda ficou mais óbvia quando a minha mãe me levou a uma casa de instrumentos musicais e eu fiquei a saber o preço daquela linda bateria preta, trinta e cinco contos!

Como automutilação fiz a minha adolescência e juventude de costas viradas para a música. Enquanto todos os meus amigos sabiam nomes de bandas e músicas eu era um zero à esquerda. A desculpa, era mau de ouvido. O sonho por ali ficou, entre a racionalidade económica e a frustração pessoal.

Há seis meses o meu filho João disse-me que queria aprender a tocar bateria. Um pouco a contra gosto da mãe, rapidamente informei-me de uma boa escola e depressa o inscrevi. No dia seis de março o João teve a sua primeira audição. Play Along – HIP HOP. Senti uma alegria enorme e tive a prova que os sonhos não morrem. Qualquer que seja o palco que o João esteja também estarei eu.

Obrigado OMA, obrigado Professor Jorge Oliveira e obrigado João.

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