Voltei

Patrícia Carvalho, colega de redacção, numa pausa para o café disse-me que eu tinha dois filhos lindíssimos e um blog igualmente lindo. Com o piropo ao João e ao Filipe fiquei como peru inchado, quanto ao blog provocou em mim uma certa saudade.

Quase tinha decidido fazer o velório ao 400asas, mas a forma tão doce e sincera de Patrícia fez-me voltar. Voltei!

Estava a comer umas almôndegas quando a SIC fez um directo das escadarias da Assembleia da República. Centenas de pessoas iriam entregar uma petição pela Liberdade de Expressão a todos os partidos com assento parlamentar. De seguida o pivô do Primeiro Jornal dá-nos conta da manifestação das trabalhadoras da Maconde que já não recebem salário à vários meses. Trabalham e produzem mas de borla. A Administração diz para as trabalhadoras terem paciência. Mas de seguida ficamos a saber que existem pessoas que não trabalham mas continuam a receber. É o caso de Armando Vara que já não está no BCP mas é como se estivesse. Escusado será dizer, que com tão brilhante alinhamento televisivo ia morrendo com uma almôndega atravessada na goela.

Disse uma valente asneira em tom de revolta e lembrei-me daquela fotografia que fiz nas comemorações da República e que o Público inteligentemente publicou na primeira página. Não sei para onde caminhamos, se para o abismo se para o buraco. A única certeza que tenho é que os responsáveis são sempre os mesmos. Com apertos de mão vigorosos ou com carícias de mão, eles sempre aí estão, com a mesma desfaçatez, com a mesma receita. Sorridentes e invertebrados.

Como dizia um velho hoje no comboio, o rapaz largou o computador e a garrafa de água e atirou-se para a frente do Alfa, Frouxou das ideias coitado.

Num país assim quem não frouxa?

7 comments

  1. Caro A. Miranda,
    Agradeçe por mim à Patrícia Carvalho!
    Espero que possa continuar a ser presenteado pelas tuas prosas e belíssimas fotografias.

  2. Camarada Adriano,

    ainda bem que alguém te “provocou” o regresso… Um grande bem haja à Patricia Carvalho!

    Desejo agora que o “400 asas” continue com mais textos e fotografias cheios de sensibilidade…

    Um grande abraço fotográfico

    Marcos Borga

  3. Ainda bem que decidiste não fazer o velório ao 400asas.
    Este espaço é de uma importância extrema. Quando venho espreitar, e leio os teus textos e imagens, fico com uma vontade enorme de fotografar. De me esforçar e melhorar a minha forma de ver, de me tornar num fotografo melhor.
    400ASAS é um elixir que nos motiva. Uma referência.

    Obrigado Adriano por partilhares o teu excelente trabalho.

  4. Ainda bem que as 400asas voltaram. Com o digital até se pode ir um pouco mais além.
    Excelente texto de regresso e uma fotografia que me marcou muito quando a vi: genial, comentei eu. Parabens.

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