Setembro 14, 2009

Adormeci a pensar. A dormir sonhei. Tremia. Estava assustado.

1

Preso.

2

Um fantasma olhava para mim. Agitei as memórias. Quase sufoquei.

3

Tentei chamar por ela. Ela dormia.

4

Caí a pique. Gritei.

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Chegou a força. A paz.

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Voei. Só não sei até quando.

7

Tibães

Setembro 9, 2009

Lembro-me de o visitar uma vez por ano nos Encontros de Imagem de Braga. Abandonado e em ruínas, mas imponente e majestoso.

Percorria os longos corredores, as pequenas celas, a grande cozinha, os belos jardins e pensava como era possível o Mosteiro de Tibães ter chegado até aqui, assim, desprezado e triste.

Fundado nos finais do século XI, quando o Condado Portucalense se começava a afirmar, albergou monges até mil oitocentos e trinta e quatro, ano em que o Mosteiro foi encerrado e os seus bens vendidos em hasta pública. Passados cento e cinquenta e dois anos o Estado Português resgata o Mosteiro que estava nas mãos de privados. Ao fim de vinte e três anos o Mosteiro de Tibães está recuperado e reabilitado numa obra magnífica.

Museu, Hospedaria Monástica e Residência Religiosa, Tibães volta a partir de hoje a ter uma nova vida, a vida da nossa história.

Parabéns Mosteiro de Tibães!

TIBAES2

Filipe

Setembro 4, 2009

No dia dois de Setembro o meu filho Filipe fez cinco anos. Tínhamos projectado uma Carlota mas o pilas teimou em fazer a desfeita. Ainda bem.

Estava eu a editar a Fotografia do jornal Público quando a Paula me telefonou. Vem buscar-me, as águas rebentaram. Fiquei nervoso e só lhe disse para chamar uma ambulância. Senti medo de não chegar a tempo ao hospital. Eram umas doze horas e afinal o Filipe só conheceu o mundo às cinco e meia. Tive tempo para roer as unhas, perder o carro, atender os telefonemas da sogra e da minha mãe, ver ambulâncias a chegarem e a partirem. No Hospital de Santa Maria os pais ficavam cá fora, junto à porta de entrada. Sem notícias, olhávamos uns para os outros, nervosos, sempre na esperança de ouvir o nosso nome no altifalante, que nos comunicaria o seu filho nasceu,  pode subir.

Lá chegou a hora do Filipe abrir os olhos no mundo, e a minha hora de subir aquelas escadas cremes e usadas para o conhecer. Lembro-me que as pernas não me tremiam tanto quando do nascimento do João. Mas tremiam. Como será ele?

Num corredor quase escuro lá estava. Pequenino, deitado junto da mãe combalida e feliz. Com fome. Olhos fechados procurando a mama. Sorri e chorei.

Cinco anos passados, a casa transbordou de amigos para lhe cantarem os parabéns. O Filipe é expressivo, brincalhão, inteligente, refilão, mas muito, mas mesmo muito, meigo e carinhoso. São bons os seus beijos espontâneos e os seus abraços de Tarzan.

O Filipe é o meu segundo Herói. Sou feliz!

FILIPE

Giões

Agosto 22, 2009

As férias acabaram. Quase um mês sem vestir calças nem sapatos. Só sol. Como o dinheiro nas minhas mãos não se multiplica, este ano fomos (eu, a Paula, o João e o Filipe) para casa da sogra no Algarve. E como José Sócrates considera que com os meus rendimentos já pertenço à classe média (Sarkozy considerar-me-ia da classe baixa) ter uma casa algarvia é um luxo e um desejo de muitos lusitanos.

Tive sorte. No meio de alguns namoros fui atrás da moura encantada e a muito custo lá descobri no mapa a sua aldeia. Claro que a moura tinha mesmo muito encanto. E para que não restem dúvidas (ela tem por hábito ler este blog) ainda tem o mesmo encanto e mais alguns. A aldeia dá pelo nome de Giões e fica no concelho mais pobre de Portugal, Alcoutim. Encravada nos montes de estevas o casario branco brilha ao longe. O sol queima teimosamente e a noite é repleta de estrelas. No verão a aldeia fica cheia de homens, mulheres, jovens, crianças. No único café repartem as mesas e as conversas. As crianças andam de bicicleta, jogam à bola. Giões no verão é uma comunidade onde os medos e os preconceitos da cidade ficam esquecidos, enterrados. Giões no inverno é quase fantasma.

Aprendi a caminhar pelos montes áridos. Apanhar amêndoas e parti-las com as pedras dos muros. Abrigar-me do sol na copa de uma figueira e degustar figos. Apreciar a rapidez dos coelhos e das lebres e a audácia das perdizes. Ali sinto o olhar sereno e contemplo os campos abandonados, os currais destruídos, os ribeiros secos, as amendoeiras mortas. Ali existe um animal em vias de extinção, o Homem.

Algumas mulheres arregaçaram as mangas e formaram a Associação Grito d’ Alegria, Amigos de Giões. Para que aquela terra não morra. Tornei-me sócio.

A música voava pelo céu. Dançava-se. Bebia-se. Cantava-se. A festa de Giões este ano está magnífica, dizia um velho. Lá no cimo, a uns cem metros da festa, os mortos da terra repousavam ao som da saudade cantada pelo trovador. Recordei o meu sogro. Bebi uma mini e fui deitar-me.

adriano miranda

Oliva

Julho 21, 2009

A fábrica da Oliva faz parte das nossas lembranças. Eu recordo o dia em que o meu avô me ofereceu uma bicicleta verde de corridas Oliva. Da minha madrinha assar uma galinha todos os domingos num fogão a lenha Oliva. Da minha mãe me dar banho numa banheira Oliva. Do barulho certeiro pelo silêncio da noite do pedal da máquina de costura Oliva.

A Oliva era um gigante nacional. Empregava milhares de operários. Ocupava milhares de hectares quase no centro de São João da Madeira. A Oliva era a marca do sucesso. Do império.

Hoje resume-se a uma pequena empresa em lay-off. A grande Oliva desapareceu. Resta as memórias de quem lá laborou. Resta o gigante edifício, colossal, decadente, cor de ferrugem e abandonado.

A Câmara Municipal de São João da Madeira comprou as paredes da Oliva. Lá irá nascer um Centro de Arte Moderna.

A Oliva renascerá com o seu esplendor e também eu vou recuperar a abandonada bicicleta verde que o meu avô me ofereceu, com o sonho de o neto ser um dia ciclista.

http://static.publico.clix.pt/fotogalerias/fotogalerias.aspx

ASM OLIVA 5

Ferreira, e Agora?

Julho 16, 2009

O Presidente do Governo Regional da Madeira quer que a nova Constituição da República Portuguesa proíba o Comunismo.

Todos sabemos como o senhor Presidente é adepto ferranho do líquido escocês.

adriano miranda

Timor de Todos Nós

Julho 13, 2009

Morreu Manuel Carrascalão. O meu pai, João Miranda, brincou com Carrascalão nas ruas de Dilí. Tudo começou assim.

O meu avô Manuel Simões Miranda com Manuel Carrascalão, pai de Manuel Carrascalão, e outros camaradas, foram presos após o golpe fascista de Oliveira Salazar em 1926. O crime era pensar diferente.

Presos sob as grades da cadeia de Monsanto, prepararam uma fuga escavando um túnel. A fuga falhou. Todos foram deportados para Timor em 1927. Sem julgamento nem condenação.

A viagem demorou seis meses. Dentro do porão de um navio, convivendo com ratos, com falta de higiene e mal nutridos chegaram a Timor. Ficaram presos numa pequena prisão a uns quilómetros de Díli.

Foram libertados. Libertados significava somente deixarem de estar encerrados em quatro paredes. Timor era uma ilha prisão. Desterrados. Nunca mais voltariam a Portugal.

O meu avô Manuel casou com Laura Ximenes. Timorense que fumava e mascava. Teve 4 filhos. Abriu uma padaria. Mas o seu sonho continuava a ser o mesmo. Liberdade para o seu povo.

Com a Segunda Grande Guerra o Japão invade Timor. Toda a população é massacrada. O meu avô vai lutar contra o invasor bárbaro. A sua casa é invadida pelas tropas nipónicas. O meu tio Manuel com três anos, o meu pai João com oito anos e um primo de nome Marcelino fogem para as montanhas. Lembro-me de o meu pai me contar que estava a comer cana doce quando viu os japoneses. Choravam ao ouvirem o barulho dos tiros. A terra saltava sobre os seus corpos frágeis levantada pelas balas mortíferas. Os japoneses disparavam à sorte por entre o capim alto. Marcelino é capturado e degolado. Tinha onze anos.

Perdidos no meio do mato as duas crianças comem raízes, ervas, casca de canela e batar-ut  para sobreviverem. Conseguem juntarem-se a outros fugitivos. Fizeram uma palhota de bambu coberta de capim. Mas a Seita Negra encontra-os. Fogem novamente.

A minha avó Ximenes é presa num campo de concentração japonês. O meu avô volta a casa para recuperar os filhos. Não os encontra. No cais de Díli está um barco pronto a partir para a Austrália com refugiados. O meu avô sobe. Procura os filhos. Mais uma vez não os encontra. Pereirita, um camarada seu também deportado, tenta convencer o meu avô a partir. Seria a sua liberdade. Rejeita. Não abandona Timor, o seu maior sonho, sem os filhos.

Vai para as montanhas em busca dos filhos João e Manuel. Morre sozinho, doente e no meio do mato. Tinha quarenta anos.

O meu pai e o meu tio chegaram junto do Oceano Pacífico num dia quente. Viram um barco ao longe. Destruíram uma palhota construída sobre a areia. Lançaram fogo ao capim e bambus ressequidos. O navio correspondeu ao pedido de ajuda e enviou uma baleeira.

O meu pai João e o meu tio Manuel foram os primeiros a embarcar. Viajaram para Ataúro e recebidos por soldados australianos. Foram curadas as bolhas e feridas com sulfato de cobre e alimentados os estômagos e os corações.

Depois partiram para um campo de refugiados na Austrália. No verão de mil novecentos e quarenta e quatros embarcaram num navio inglês para Lourenço Marques. Permaneceram aí três meses até que partiram para Portugal.

Desembarcaram em Alcântara. Sozinhos no cais, são recolhidos pela polícia e entregues à Casa Pia. Mais tarde a família descobre que estão na Casa Pia e finalmente alguém lhes dá o amor que a guerra lhes roubou. Foi o meu avô João, irmão do meu avô Manuel.

João, o meu avô,  vivia em Lisboa, e sempre que algum barco chegava de África ou de Timor levava uma fotografia do meu avô Manuel e empunhava-a no ar na esperança de ele regressar. Nunca regressou nem se sabe se foi sepultado.

Como Manuel Carrascalão o meu pai também já morreu. O meu tio Manuel e o meu tio José estão vivos. Recordo o meu pai com admiração. Não teve infância. Não foi menino. Por isso foi tão bom pai.

Passados trinta e cinco anos do vinte cinco de Abril em que se denunciaram tantos crimes do fascismo, seria justo recordar os Homens que foram desterrados para Timor e lá morreram pela Liberdade.

adriano miranda timor

Vinte Valores

Julho 4, 2009

É a primeira vez que edito no 400asas uma fotografia que não é da minha autoria. Não pela triste atitude do ex-ministro Manuel Pinho, mas pelo brilhante profissionalismo de Nuno Ferreira Santos.

Nuno é meu colega no jornal Público. Foi o único fotojornalista presente no hemiciclo a conseguir fotografar o acto mais triste de Pinho. Todos os outros falharam.

Mas Nuno não se limitou a dar-nos o prazer de ver a sua fotografia. Todas as imagens do destaque do Público [03.07.09] sobre o estado da nação são de uma acutilância extraordinária. Os deputados a verem a fotografia de Nuno na edição on-line do Público. A outra, Sócrates no centro e o Ministro das Finanças de um lado e do outro uma cadeira vazia.

Isto tem um nome, Fotojornalismo. Nuno soube interpretar na perfeição tudo o que se passou naquela sala do parlamento. Atento, astuto, informado, inteligente e rápido. E porque as tecnologias são para se usar, admito o prazer que Nuno sentiu nas bancadas da Assembleia ao fotografar os deputados a verem a fotografia que acabara de fazer. Uma fotografia checkmate. Uma fotografia de morte.

Confesso que senti alegria como colega de Nuno e como fotojornalista do Público. O meu jornal, meu porque gosto demasiado dele, brilhou como sempre nos habituou. Na Fotografia do Público existe uma regra como o sangue que nos corre nas veias. Temos que ser bons e melhores que os outros. Nuno Ferreira Santos foi e com ele fomos todos nós.

E em tempos de crise em que o papel do fotojornalista está seriamente ameaçado dentro das redacções dos jornais, será bom que quem manda, aprenda com os êxitos e perceba que a linguagem fotográfica é imprescindível na força que é informar. Por mais engenharia financeira que se faça para reduzir custos despedindo fotojornalistas, com a ideia medíocre que fotografar qualquer um faz, nada vai valer a pena. O maior custo será a falta de qualidade e notoriedade, a perda de identidade editorial e o definhamento de leitores.

Nuno demonstrou sabiamente que o caminho não é por aí.

Obrigado.

manuel pinho

Insulto

Julho 2, 2009

Em Abril de mil novecentos e setenta e quatro tinha oito anos. A partir do dia vinte cinco comecei a aprender novas palavras como, liberdade, política, comunismo, socialismo, fascismo e até badamerda, palavrão usado por Pinheiro de Azevedo quando era primeiro-ministro se a memória não me atraiçoa.

Não por causa da merda mas muito mais pela liberdade comecei logo a nutrir um grande interesse pela política. Até sonhei em ser deputado. Ministro nunca esteve nos meus horizontes.

Já passaram trinta e cinco anos e nunca me sentei na AR a não ser nas bancadas.. Continuo a gostar muito de política.

Quando li em rodapé no Telejornal que o Ministro das Finanças acumulava a pasta da Economia, não descansei enquanto não descobri o que teria acontecido a Manuel Pinho.  Rapidamente a imagem do dia se difundiu no meu ecrã. Rosto desvairado com dedos chifrudos. Bernardino Soares insultado. Deputados insultados. Assembleia da República insultada.

Logo senti saudades de Álvaro Cunhal, Mário Soares e Sá Carneiro.

O ministro da papa Maizena ou da mão de obra barata (declarações na visita oficial à China) mesmo depois do insulto, estava convencido que não seria demitido pelo simples facto de ter safado muitos postos de trabalho. Manuel Pinho tem mesmo sentido de humor.

Agora vai de férias na esperança de safar o seu posto de trabalho numa qualquer administração de uma empresa. Será curioso saber qual.

adriano miranda2

Gripe

Junho 30, 2009

Com o trauma da queda da aeronave francesa sobre as águas do Atlântico e a pandemia de Gripe A, o meu chefe enviou-me para o México. Confesso que fiquei assustado e em casa quase que tive as malas à porta.

Se da queda nada me salvaria, já da Gripe fui mais que prevenido por imposição responsável da minha entidade patronal. Não me faltaram máscaras, toalhetes com álcool, termómetro e o tão procurado Tamiflu. Fiz as malas com algum receio confesso.

Não rezei porque não sou de rezas mas até o facto de não ter escrito um testamento me perturbou. Mas escrever o quê? A hipoteca da casa? Pensando bem, nada iria acontecer.

Afinal, muita coisa aconteceu.

Cheguei e fui despejado numa cápsula que dava pelo nome de Resort Bahia Príncipe Tulum.  Recebido com um  show Mariachi e um cocktail com Canapés o luxo parecia estar à minha espera. Anilhado com uma pulseira dourada tive direito a um Tudo Incluído para VIP’s.

Com vida de rico, longe de Sócrates e com o mar do Caribe quase a banhar os pés da minha cama senti-me o homem mais feliz do mundo. O calor abria os poros e despertava as hormonas afogadas constantemente em tequilhas, morritos ou margaritas.

E se a barriga fosse de muito alimento não faltava comida vinte e quatro horas por dia. Parecia estar numa boda, daquelas em que o pai da noiva tem que contrair um empréstimo bancário para alimentar as centenas de convidados que além de trincharem o leitão e o bacalhau com natas, também comem a noiva com os olhos que a terra também há-de comer.

Ver Chichen Itza e Ekbalam, as pirâmides Maia, aquelas que sempre me habituei a ver nos compêndios de História, não foi muito excitante. Milhares de turistas e centenas de vendedores de artesanato quase abafavam as gigantes estruturas. Como dizia Jorge, o guia, aqui a artesania quase sempre é gato e raramente é lebre. Mas o que importa. Em primeiro lugar a nossa mãe ou a nossa tia irão gostar da pirâmide ou da boneca, que ficará muito bem na cozinha junto ao galo de Barcelos ,ou na sala junto a Nossa Senhora de Fátima. E segundo, o dólar ou o euro é negociável.

Bom, mas mesmo bom, eram os banhos na piscina do resort às três da manhã e quase sempre a chover torrencialmente. Estranho porque sempre me disseram que quando chove devemos mantermo-nos resguardados sob pena de contrairmos uma gripe daquelas de caixão à cova. Mas na Riviera Maya a chuva convida a um belo banho seja a que horas forem. E o bar está sempre aberto para uma bela Margarita…

Sei que fiz um pouco figura de parolo. Daqueles portugas, que trabalham um ano inteiro para depois esturrarem milhares de euros em pacotes de uma semana onde ficam de papo para o ar a enfardarem tudo o que lhes aparece pela frente. Depois o vizinho pergunta Então como é o México? É lindo, tem piscinas maravilhosas e come-se muito bem, E as gajas? Ui era com cada americana.

Sou sincero. Fiz figura de parolo. Só houve um dia em que furei o bloqueio da cápsula e parti à descoberta do outro México. Aquele México que só conhece os resortes porque lá trabalha. Aldeias no meio dos mangais com povo carinhoso. Aldeias de pessoas como eu. Pensei, ficaria aqui um mês, um ano.

Quando o avião se fez à pista para atravessar de volta o Atlântico, lembrei-me novamente do testamento. Decidi escrever nas costas do programa da viagem com a esperança que se acontece-se alguma tragédia, este meu testamento fosse encontrado; Que o pouco dinheiro que tenho no banco seja usado para os meus dois filhos conhecerem todas as aldeias do mundo. Beijos. Adriano Miranda.

Regressei sem gripe só um pouco mais bronzeado.

http://static.publico.clix.pt/docs/mundo/agripeinventada/

adriano miranda