25

Abril 27, 2009

Tinha oito anos quando vi a minha mãe agarrada ao rádio. O meu pai nunca teve tanta pressa para ver o Telejornal. O meu avô abraçava toda a gente e chorava.

A escola fechou. Quando abriu já podíamos brincar com as meninas no recreio. Cantávamos a Gaivota.

Nunca vi tanta gente junta. Gritavam liberdade. Riam. Estavam felizes. Em cada bolso existia um cravo. Também gritei o povo unido já mais será vencido.

Em casa do meu avô a família não parava de chegar. Abraços. Lágrimas. Champanhe. Eu brincava como sempre entre as pereiras e o pessegueiro. Lembro-me de saber que já não ia para a guerra como o meu tio Adriano.

No sábado regressei à casa onde vi o 25 nascer. A família chegou. Uns já não nos puderam abraçar mas outros novos abraços tivemos. Para que Abril não se esqueça.

adriano MIRANDA

Ana

Abril 27, 2009

Quando troquei Lisboa pelo Porto, troquei a Assembleia da República pelos bairros sociais e foi com esta fabulosa troca que conheci a Ana Cristina Pereira.

A Ana é minha colega no Público. A memória já não me sabe dizer qual foi o primeiro trabalho que fizemos. Também não importa porque espero realizar muitas mais reportagens com a Ana.

A Ana levou-me aos sítios mais pobres deste país. A Ana ensinou-me  o quanto vale a palavra revolta. A Ana fez-me por vezes chorar, um choro contido sob uma máquina fotográfica que teimava em denunciar.

A Ana acabou de escrever Meninos de ninguém.

Sentados no nosso sofá descobriremos não o mundo de Ana mas o nosso triste mundo. Guardarei este livro pelo carinho especial que tenho por Ana e porque quero que os meus meninos, João e Filipe, um dia leiam o que Ana escreveu.

Mudar o mundo é o que a Ana faz.

Obrigado.

 http://meninosdeninguem.wordpress.com/

adriano-miranda6