Na série da RTP Conta-me como Foi, relembramos como eram as salas de aula nos anos 60. A fotografia de Salazar presa entre quatro réguas de madeira e ensalsichada num vidro, mais um crucifixo, um quadro de lousa preta, um estrado para o professor autoritário, uma cana, uma palmatória e vinte e tal batas brancas alinhadas e sentadas. Assim se aprendia todos os rios, todas as serras e o hino da Mocidade.
Mas se fizermos zapping, podemos ver na TVI a novela Morangos com Açucar. Sabemos como são as salas de aula contemporâneas. O estrado continua, mas o Professor é um cota, o quadro é interactivo, os alunos vestam outras fardas e quase dormem sobre as coloridas carteiras. Ouvem música em vez de ouvir o Professor e combinam quequas e esquemas via telemóvel.
Patrícia foi a actriz principal de uma longa e triste metragem. A Professora fez o papel de má da fita. E um câmara/realizador esmerado realizou o vídeo da sua vida. Tudo se podia resumir a fitas, mas o problema, é que a primeira aconteceu durante 48 anos e a segunda já vem acontecendo há muitos anos. E este famoso vídeo do YouTube é fruto das duas realidades que a RTP e TVI retratam.
Duas sociedades tão distantes e ainda tão iguais.
