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Adriano Miranda

Moliço July 29, 2007

Filed under: Uncategorized — 400asas @ 6:14 pm

Nasci a ver os moliceiros. Todos os dias passava no museu Santa Joana. Tenho 41 anos e nasci em Aveiro.

Demorei 40 anos a visitar o museu e 41 para navegar num moliceiro. Foi ontem na regata de moliceiros entre a Torreira e Aveiro.

Fiquei apaixonado pela proa elegante, pelos desenhos brejeiros, pelo silêncio da grande vela, pela inclinação quase a pique que nos faz pensar num banho forçado.

Fiquei rendido ao barco mais bonito que Portugal tem. 

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A gula July 23, 2007

Filed under: Uncategorized — 400asas @ 5:44 pm

Neste verão não existem incêndios. Teremos que agradecer ao São Pedro!

Assim, não nos lembramos que Portugal tem um ordenamento do território desastroso, que os bombeiros não têm meios, que os aviões são um negócio, que  as matas não são limpas, que a agricultura está ao abandono…olhamos para o céu e só sabemos que não podemos ir a banhos para uma praia com uma dúzia de “arranha céus” nas dunas. Como é bom estender a toalha quase à porta de casa.

Em Ovar, uma fábrica de moagem de borracha está à 48 horas a arder toneladas de borracha. O fumo chegou a ser visto em Coimbra! Mesmo junto à montanha de pneus triturados convive um pinhal seco e sujo que foi o primeiro a arder. Do outro lado mais fábricas e do outro superfícies comerciais. Como é isto possivel? Bocas de incêndio não vi nenhuma. Só rostos negros de bombeiros cansados com olhar impotente perante a gula da chama.

Estranho país.

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Sócrates e Bagão July 21, 2007

Filed under: Uncategorized — 400asas @ 2:04 pm

Ontem fingi que não vivia em Portugal. Acompanhei o debate sobre o estado da nação na AR e fiquei a saber que se vive muito bem no país de Socrates. A oposição usa sempre a mesma cassete e o governo tem realizado uma política fantástica, na educação, na saúde, no plano económico e social. Portugal nunca esteve tão bem.

Agora até vai dar mais dinheiro no abono de família. Segundo Sócrates, 32 mil famílias deverão passar a receber o montante máximo do abono, por se situarem nos escalões com rendimentos por agregado familiar mais baixos. Juntando estas famílias com as que não têm filhos ou já não têm idade para receber o abono, depressa percebemos que existem muitas famílias carenciadas em Portugal. Somamos agora os reformados. E mais uma fatia dos desempregados. Qual será afinal o número de portugueses que vive com extremas dificuldades?

Desliguei o rádio com Sócrates a dizer que Portugal vai no bom caminho, e então pensei, qual será o meu caminho e o caminho dos meus dois filhos de dois e oito anos a quem Bagão Felix retirou o Abono de Família?

O meu não sei, mas o caminho do Filipe e do João será deixar Portugal. Farei tudo para que isso aconteça. José Saramago tem razão! 

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As Barrigas de todos nós July 16, 2007

Filed under: Uncategorized — 400asas @ 5:45 pm

Lisboa foi a votos e a vencedora foi a abstenção com maioria absoluta. Fiquei feliz não por este resultado nem pela vitória que realmente conta, a de António Costa. Gostei  foi de ver o sorriso amarelo do faquir Paulo das feiras a comentar o resultado de Telmo Correia. As facas por vezes são bumerangues!

António Costa, no seu intímo não se sente muito confortado. Vai ser presidente de uma cidade em que 62,61% dos eleitores não votaram. Carmona e Negrão tinham as tias no Mónaco, Costa e Roseta não convenceram os que estão no Algarve e até Câmara Pereira não resistiu aos que o trocaram pelo monte alentejano ou por uma bela tourada.

Haverá, como sempre, desculpas para tão elevado desinteresse; a praia, as férias, o sol, os feriados, as “pontes”. Eu acho que são as barrigas. Os milhões de barrigas que apertam para que centenas de barrigas cresçam!

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Arame July 16, 2007

Filed under: Uncategorized — 400asas @ 4:32 pm

O olhar por vezes perturba-se. Indigna-se com os bairros podres, com as seringas do Aleixo ou com os ciganos do Bacelo. Chocam os que dormem na rua e os que pedem esmola na esquina da Bolsa. Do outro lado do rio olhamos o casario e podemos facilmente imaginar que o Porto vive doente, muito doente.

Durante meses vi ruas a serem cercadas por rede metálica. Estranho cenário. Perguntei a um taxista para quê tanto metro de arame ao qual me explicou que era para as corridas da Boavista. O Mercedes continuou a rolar a toda a velocidade e o meu olhar fixou uma mulher curva, suja e triste.

Para que serve tanto arame?

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Rio de Onor July 12, 2007

Filed under: Uncategorized — 400asas @ 3:40 pm

“Rio de Onor (Portugal) e Rihonor de Castilha (Espanha) parecem irmãs gémeas separadas por uma linha imaginária que se convencionou chamar fronteira.

Ameaçadas pelo intenso envelhecimento da população, sonham com dinheiros da União Europeia capazes de lhes restituir vida. Mas o sonho está a esmorecer”.

Uma reportagem de Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda na Pública de 08.07.07

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