O Lápis
Maio 31, 2007
“As instalações onde os 27 funcionários se movimentam são do início do século passado.
A beleza da Viarco também reside nas salas decoradas por envidraçados móveis de madeira antigos, nas bancas e instrumentos de trabalho de década e década de produção”.
Excerto do texto de Sara Dias Oliveira, Público 29 de Maio de 2007
Carrapato
Maio 28, 2007
Hoje telefonei a um amigo. António Carrapato vive no alentejo. Teima em viver no alentejo.
É fotógrafo. É um dos melhores fotógrafos portugueses. É um dos que eu mais gosto.
Teima ser fotógrafo numa terra que fica para além do “deserto da margem sul.” Tem coragem e bravura em resistir e continuar a brindar-nos sempre com imagens carregadas de humor e sentido de militância.
Um dia comentei com António Carrapato que ele estava a inclinar demasiado os enquadramentos. Obtive uma resposta deliciosa: “…é para quebrar a monotonia da planície!”
Continua a quebrar Carrapato.
As minhas luvas
Maio 28, 2007
Quando era criança defendia para carago. As luvas eram da serra da estrela e usava umas joalheiras maravilhosas que tenho pena de não as ter guardado. Eram uma verdadeira peça de museu.
O meu ídolo era o Damas. Sempre fui do Sporting e do Beira-Mar de Manecas. Claro que nunca andei numa escola de futebol. Os tempos eram outros e por isso passei ao lado de uma grande carreira! Agora o meu ídolo é o Ricardo apesar de me deixar sempre nervoso. Mas fiquei rendido no Portugal x Inglaterra.
A primeira vez que fui ver um jogo a sério, foi na estreia do Eusébio no Beira-Mar. A pantera já se arrastava mas ainda marcava e ajudava a encher o velho Mário Duarte.
Este ano Jardel também quis repetir a história de Eusébio. Só que o novo estádio Mário Duarte, o verdadeiro monstro aveirense, leva 30 mil pessoas e a barriga de Jardel era bem maior que a de Eusébio. Aliás, no Beira-Mar existem imensas barrigas grandes que resultam sempre numa descida de divisão.
Todos os domingos ia à bola. Sofria com as derrotas, gritava palavrões ao árbitro. Ficava todo molhado ou transpirado. Gritava, gritava…
Agora só vou gritar pelo meu filho no Taboeira e rezar que ele não se esfole no pelado. Tal como eu, também quer ser guarda-redes mas com uma grande diferença; já tem luvas da Nike!
Fitas a arder
Maio 9, 2007
Os pais, os avós, os primos e os vizinhos descem a calçada em busca do filho doutor. Um homem vende cadeiras, um outro vende pipocas. Há caipirinha a 2 euros e fotógrafos que depois do clic oferecem um cartão.
Os fatos negros saltam ao ritmo da cerveja e as ambulâncias penetram a custo pela multidão. O alcatrão cobre-se de vidros laranjas. Os namorados apalpam-se sobre o olhar atento da futura sogra e a música entra pelo céu que teima em escaldar.
Rostos suados mas não cansados, gritam com o que a garganta ainda pode oferecer. Numa esquina uma relote vende bifanas a bom vapor.
Mariano Gago passa no seu BMW…


















